Entrevista ISEG Presidente

Entrevista – Manuel Mira Godinho (Presidente do ISEG)

Entrevistámos o Manuel Mira Godinho, Presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) sobre as suas experiências e perspetivas de liderar umas das faculdades portuguesas mais prestigiosas.

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Manuel Mira Godinho é atualmente Presidente do ISEG, escola onde é Professor Catedrático de Economia desde 2010. Foi-lhe concedido em 2001 o grau de “Agregado em Economia” com um trabalho sobre “Análise Económica de Patentes”.

Obteve o grau de “Doctor of Philosophy in Science and Technology Policy”, na Universidade de Sussex, Reino Unido, em 1995. Obteve o grau de “Master of Science in “Social and Economic Aspects of Science and Technology in Industry”, pelo Imperial College of Science and Tecnology, Universidade de Londres, em 1986. Licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Universidade Técnica de Lisboa, em 1983. Ensina desde esse ano, em cursos de graduação e de pós-graduação, matérias relacionadas com suas áreas de interesse e investigação, que incluem a análise económica da inovação, Direitos de Propriedade Intelectual e políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Tem realizado e publicado trabalhos nas suas áreas de interesse, em livros e revistas académicas nacionais e internacionais. Tem também trabalhado como consultor para organizações privadas e públicas, designadamente a Comissão Europeia.

1) O ISEG é a faculdade mais antiga nas áreas de economia e gestão em Portugal, com uma longa tradição na formação de altos cargos da administração pública e do setor privado em Portugal. Mas se a maioria dos alunos são portuguesas, como tem evoluído o ISEG na captação de alunos internacionais?

O ISEG tem vindo a recrutar, ano após ano, um número cada vez maior de alunos internacionais. Para o ano letivo 2018/19, dos quase 800 novos alunos que irão estar matriculados nos nossos mestrados, 25% são de outros países. E nos programas de doutoramento, a proporção é aproximadamente 50-50%. Há que relevar que há poucos anos ainda, os valores de alunos internacionais matriculados nos nossos cursos era residual. Esperamos que esta tendência de internacionalização se reforce bastante nos próximos anos.

2) Consegue destacar casos de sucesso de alunos graduados no ISEG e que hoje se encontram no topo de organizações mundiais?

Durante o período anterior à revolução de 1974, alunos provenientes das ex-colónias procuravam a nossa escola para obter a sua formação universitária. Um exemplo notável é o de Mário Machungo que foi Primeiro Ministro de Moçambique entre 1986 e 1994. Mais próximo do momento atual temos, por exemplo, o caso de Vítor Constâncio, que para além de ser ex-aluno também foi professor no ISEG, e que ocupou o cargo de Vice-Presidente do Banco Central Europeu entre 2011 e 2018.

3) O Professor faz parte de uma primeira vaga de portugueses a doutorarem-se no estrangeiro, onde conviveu com algumas das melhores práticas científicas internacionais. Que estratégia está a ser seguida para reforçar a qualidade científica internacional do ISEG?

O desempenho científico do ISEG registou um incremento notável ao longo da última década. Esse desempenho materializa-se num crescente número de livros, capítulos de livros e artigos publicados em revistas científicas por docentes e investigadores do ISEG, bem como em citações a esses artigos feitas por outros artigos científicos.

De acordo com os dados que temos disponíveis, entre as escolas de Economia e Gestão em Portugal, o ISEG é aquela que tem maior produção científica, medida em artigos e citações a esses artigos. Parte da nossa estratégia neste momento consiste em apostar na publicação em revistas académicas de maior impacto. Para tal desenvolvemos serviços de apoio à organização de projetos de investigação e à captação de fundos. Os incentivos à progressão na carreira docente, para promoção às categorias de professor associado e catedrático, também estimulam à publicação internacional de qualidade.

4) Na sua opinião, o que pode ser melhorado nos estatutos de carreira docente e de investigação para atrair ainda mais quadros internacionais para as Instituições de Ensino Superior em Portugal?

O enquadramento legal do Ensino superior português não é muito favorável à internacionalização. As nossas principais universidades progrediram muito nos últimos anos, mas a moldura institucional permaneceu a mesma. Independentemente das universidades terem meios financeiros para o fazer, não podem por exemplo discriminar nos salários para conseguirem atrair indivíduos de curriculum excecional a nível internacional. E se Portugal quiser apostar no Ensino superior como sector de exportação, o que hoje seria possível, por exemplo, dando cursos noutros países, teremos enormes dificuldades em reconhecer os créditos obtidos nesses cursos para transferi-los para um programa de mestrado ou doutoramento em território nacional.

5) E sobre a nossa política de ensino superior, que considerações faz sobre as necessárias adaptações do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior para reforçar a competitividade das nossas Universidades e Politécnicos e a sua capacidade de atrair ainda mais alunos estrangeiros?

Tendo em conta a tendência demográfica no país e o excelente nível de competência alcançado, faz todo o sentido orientar o ensino superior português para a atração de alunos estrangeiros. Isso já está a acontecer em boa medida. Mas o quadro regulamentar ainda é todo ele muito século XX.

Para atrairmos alunos estrangeiros, e tendo conta por exemplo os valores de arrendamento que são pedidos por apartamentos ou quartos nas principais cidades, faria todo o sentido podermos oferecer residências universitárias para o efeito. A Universidade de Lisboa queria seguir esse caminho, financiando a construção de residências com a venda de algum do seu património que não está a ser utilizado. Mas a Lei do Orçamento de Estado de 2018 proibiu as universidades públicas de alienarem o seu património…

6) O PME Connect é um programa de apoio à internacionalização das empresas portuguesas com a particularidade de aproximar as PME das grandes empresas. Qual o papel que uma Instituição de Ensino Superior de referência, como o ISEG, pode ter neste projeto, no sentido de apoiar uma internacionalização mais eficaz das nossas empresas?

O ISEG oferece e supervisiona cursos que contribuem precisamente para a formação de competências necessárias para a internacionalização das empresas. Dois exemplos são o Mestrado em Economia Internacional e Estudos Europeus e a Pós-Gradução em International Business. Os nossos docentes também têm desenvolvido investigação sobre temas relacionados coma internacionalização, e os resultados desses estudos podem inspirar as estratégias empresariais e as políticas públicas nestas áreas. Acresce ainda a realização de dissertações de mestrado e de doutoramento, cujos temas podem ser inspirados por solicitações provenientes da rede PME Connect.

7) Por último, quais são os planos para o futuro do ISEG?

O ISEG foi a primeira escola de economia e gestão a surgir em Portugal. Atualmente perdemos essa singularidade, há bastantes escolas a atura nas mesmas áreas. Por isso o nosso horizonte natural é, agora, o mercado internacional. Queremos atrair mais alunos internacionais, integrar no nosso corpo docente professores de outras nacionalidades, realizar projetos em parceria com escolas e investigadores de outros países. Mas queremos alcançar esse objetivo sem perdermos a nossa personalidade e os traços essenciais da nossa cultura académica.

O ISEG é reconhecido por ser uma escola onde se combinam diferentes abordagens metodológicas e doutrinárias. Cultivamos a interdisciplinaridade e a colaboração entre investigadores com diferentes tipos de formação. No ensino privilegiamos a proximidade entre alunos e professores, com turmas relativamente pequenas, e o ISEG é reconhecido por desenvolver qualidades singulares de trabalho em equipa. Tratamos os nossos alunos como humanos. Esta cultura é um marco essencial para um futuro que se prevê com mudanças políticas, ambientais e tecnológicas cada vez mais rápidas e com consequentes níveis elevados de incerteza.

 

Sobre o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG)
O ISEG é a escola de economia e gestão da Universidade de Lisboa, a maior universidade portuguesa. A escola oferece mais de trinta programas de licenciatura, mestrado e doutorado, oito dos quais são lecionados em inglês. O universo do ISEG compreende atualmente cerca de 5 mil alunos, aproximadamente metade em cursos de licenciatura e os restantes em mestrados e doutoramentos.

A missão do ISEG consiste na “criação, transmissão e valorização social e económica do conhecimento e da cultura nos domínios das ciências económicas, financeiras e empresariais, num quadro de pluralidade e de garantia de liberdade intelectual e científica, de respeito pela ética e de responsabilidade social”.

O ISEG tem como desígnio estratégico “afirmar-se como uma das melhores escolas de economia e gestão em Portugal, com elevada reputação internacional, reconhecido pela qualidade dos seus graduados, pela investigação realizada e pelo impacto das suas atividades na comunidade envolvente”.

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