AQUALOGUS Diretor comercial Entrevista Francisco Carvalho

Entrevista – Francisco Carvalho (Diretor Comercial da AQUALOGUS)

Entrevistámos o Francisco Carvalho, Diretor Comercial da AQUALOGUS, sobre as suas experiências e perspetivas como gestor que vive diariamente a internacionalização.

Aqualogus

Francisco Carvalho é diretor comercial da AQUALOGUS, integrando os quadros da empresa desde 1999.

A sua carreira profissional tem-se centrado na consultoria, em que tem participado e coordenado vários projetos em Portugal e no estrangeiro, sobretudo nas áreas da Energia, Recursos Hídricos e Ambiente, com destaque para a hidroeletricidade. Tem também estado fortemente envolvido no desenvolvimento de negócios e processos de internacionalização da AQUALOGUS em África, Ásia e América do Sul.

É Engenheiro Civil pelo Instituto Superior Técnico, detém um MBA pela Universidade Nova de Lisboa e é Especialista em Energia na Ordem dos Engenheiros.

1)    Todas as empresas têm uma história para contar sobre a sua fundação. No caso da AQUALOGUS, qual o contexto em que a mesma foi criada?

A AQUALOGUS foi criada em 1996 por um grupo de especialistas provenientes da antiga Hidrotécnica Portuguesa (HP), empresa de referência na consultoria de engenharia portuguesa fundada em 1957. Todavia, fruto do declínio da HP nos anos noventa, um grupo de profissionais da área das obras hidráulicas decidiu arriscar no seu próprio projeto. Tal foi realizado com beneplácito da HP, que foi inclusivamente sócia fundadora, nascendo então a AQUALOGUS. A empresa beneficiou de um clima económico favorável no país, com fortes investimentos nos domínios da água e saneamento, energia e hidroagrícola, o que permitiu desde logo um crescimento interessante.

2)    Nos vários anos de vida da AQUALOGUS, são muitos os momentos que marcaram a sua atuação. Pode enumerar alguns dos momentos mais marcantes na história da empresa?

A AQUALOGUS tem vindo, praticamente desde o seu início, a alargar os seus domínios de atuação. Sensivelmente na primeira década de existência elegeria algumas áreas em que a empresa se estreou, ilustrando com a participação em projetos para nós emblemáticos. Destacaria nas infraestruturas a barragem de Odelouca, no Algarve, e o muito forte contributo para o projeto de Alqueva em variadíssimos componentes e áreas. Tivemos também uma importante atividade no domínio hidroelétrico, com a participação em vários projetos da EDP e nos aproveitamentos da cascata do Tâmega. Na segunda década destacaria alguns marcos do trabalho no exterior: o nosso primeiro contrato em Marrocos, em 2010, que representou o início de atividade no Magreb, e que hoje se estende à Argélia e Tunísia; a constituição da Aqualogus Moçambique em 2013; a contratação de alguns trabalhos no Brasil a partir de 2014; e o primeiro contrato no Paquistão, em 2017, que assinala o início da atividade significativa na Ásia e que hoje se estende já à Índia também.

3)    Se a história e os eventos mais marcantes no passado nos ensinam hoje a tomar decisões mais ponderadas, na sua análise, o que avalia como grandes desafios e constrangimentos ao crescimento da organização?

O primeiro desafio será provavelmente a consolidação da internacionalização. O processo que iniciámos foi na verdade muito acelerado pelas circunstâncias e por vezes não tem havido a continuidade de negócio que seria desejável. Como tal, creio que devemos pensar e adaptar a nossa organização, em várias vertentes, para conseguir fortalecer a atividade em algumas áreas e regiões.

O segundo desafio é, na minha opinião, o da competitividade. A consultadoria de engenharia está completamente globalizada e a concorrência é enorme. Cada vez mais precisamos de nos distinguir nas nossas áreas chave. Aqui refiro-me a qualificações e experiência das equipas, abordagens inovadoras, participação em projetos exigentes e emblemáticos e, muito importante, capacidade para trabalhar em qualquer região do mundo.

Por fim, creio que o acesso a recursos humanos qualificados é já um desafio, com tendência para se agudizar. A boa engenharia faz-se com formação e prática. Pese embora a boa formação técnica, tem havido menor procura pelas engenharias nas universidades portuguesas. Os baixíssimos níveis de investimento no país, por sua vez, têm proporcionado poucas oportunidades para os engenheiros desenvolverem internamente as suas capacidades.

4)    A internacionalização é um processo cada vez mais utilizado pelas empresas portuguesas para sustentar o seu crescimento nos mercados internacionais. No caso da AQUALOGUS, qual é a estratégia de internacionalização em curso?

Nos últimos anos focámo-nos sobretudo em algumas geografias que, por razões diversas, se afiguravam de maior potencial. Contudo, o que se tem vindo a revelar como norma é a volatilidade. Se pensarmos em geografias em que as empresas portuguesas de engenharia se têm posicionado, e também em parte a AQUALOGUS, como o Magrebe, principais PALOP, alguns países da América Latina, vemos enormes mudanças do clima económico na última década. Deste contexto resulta uma significativa dificuldade na formulação de uma estratégia para uma empresa como a nossa. Diria que temos atualmente uma abordagem híbrida, em que privilegiamos algumas geografias, focamo-nos em alguns tipos de serviços e clientes, e valorizamos bastante as parcerias.

5)    O PME Connect é um programa de apoio à internacionalização das empresas portuguesas com a particularidade de aproximar as PME das grandes empresas. Quais as razões que fundamentaram a decisão da empresa em aderir ao programa PME Connect?

A decisão foi bastante fácil, pois consideramos que a interacção com empresas bastante internacionalizadas é potencialmente muito vantajosa. Os benefícios podem ser múltiplos, desde a simples partilha de experiência e aconselhamento até à possibilidade de parceiras para algumas oportunidades em concreto. Penso que é atualmente muito difícil uma empresa de consultoria de engenharia ter sucesso sustentável sem uma forte exposição internacional. Como tal, a internacionalização tem de estar no topo da agenda e iniciativas que a suportem, como o PME Connect, devem ser aproveitadas ao máximo.

6)    O que falta para ter ainda melhores resultados na internacionalização?

Creio que faltam algumas coisas, mas há uma que se destaca: a escala. A AQUALOGUS, e outras empresas congéneres, são minúsculas em comparação com as principais concorrentes internacionais. E embora consigam ser pontualmente bem-sucedidas, não têm em geral possibilidade de competir com estas. A escala é importante por muitas razões.

Penso que o trabalho da rede diplomática, associações empresariais, como a AIP, e organismos de apoio à actividade internacional também têm um papel importante. Embora a sua acção tenha melhorado significativamente nos últimos anos, julgo que é ainda possível fazer bastante mais.

Voltando à questão anterior, creio que um apoio ainda mais forte no exterior das grandes empresas nacionais às PME seria uma alavanca importante.

7)    Por último, quais são os planos para o futuro da Aqualogus?

O objetivo principal é afirmar, cada vez mais, a AQUALOGUS como um prestador de serviços de consultoria de excelência na área da água. Para o atingir planeamos continuar a investir na qualificação das pessoas e a trabalhar com os melhores, a desenvolver a nossa rede de parceiros, a privilegiar projetos exigentes e a focarmo-nos na rentabilidade. Relativamente à nossa oferta de serviços, deveremos orientar-nos mais para o que hoje são ainda nichos de mercado embrionários, mas que antecipamos que num futuro não muito distante venham a ser segmentos com uma dimensão e rentabilidade interessantes. Por fim, relativamente a geografias, vemos sobretudo a África austral e a Ásia como principais zonas de crescimento.

Sobre a AQUALOGUS
A AQUALOGUS – Engenharia e Ambiente é uma empresa portuguesa de consultores de engenharia, criada em 1996 e vocacionada para serviços nas áreas da água, energia e ambiente.

A empresa já desenvolveu projetos em 25 países, distribuídos por Europa, Ásia, América do Sul e África. Os seus clientes englobam fundamentalmente entidades do setor público, utilities de água e energia, empresas do setor agrícola, empresas de construção, e multilaterais financeiras.

Os principais serviços que disponibiliza são planeamento de infraestruturas, estudos de viabilidade técnica e económica, estudos ambientais e de ordenamento do território, assistência e assessoria técnica, avaliação e acompanhamento ambiental, capacitação, gestão e fiscalização de empreitadas, e peritagens técnicas.

A AQUALOGUS tem também participado em vários projetos de investigação e desenvolvimento. A empresa desenvolve a sua atividade com base num sistema de gestão integrado, certificado nas vertentes de Qualidade, Ambiente e Segurança, tendo como propósito central servir os seus clientes com Rigor, Engenho e Inovação.

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