Entrevista Formas de Pedra João Moucheira

Entrevista – João Moucheira (sócio-gerente da FORMAS DE PEDRA)

Entrevistámos o João Moucheira, sócio-gerente da Formas de Pedra, para conhecermos a sua estratégia de internacionalização e possíveis oportunidades de colaboração em processos de internacionalização.

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João Moucheira é sócio-gerente da Formas de Pedra, tem 53 anos e é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa.

Mais tarde, frequentou a pós-graduação em Gestão de Empresas, na Nova Business School.

Na empresa exerce sobretudo funções de planeamento e marketing, dando também apoio a nível jurídico.

Representou a empresa em diversas feiras internacionais e missões empresariais no estrangeiro.

1)  Todas as empresas têm uma história para contar sobre a sua fundação. No caso da Formas de Pedra, qual o contexto em que a mesma foi criada?

A Formas de Pedra, lda é uma empresa familiar criada em 2008, a partir da separação das vertentes de atividade e do património de uma outra empresa pertencente a um âmbito mais alargado de ramos da mesma família e que foi fundada nos anos 30 do século passado. A nova empresa assumiu a vertente do negócio que se relacionava com a extração de mármore, a partir de 2 pedreiras situadas em Pardais, região de Vila Viçosa, onde se localiza também a sua sede.

Desde a sua fundação, a empresa assumiu como seus principais objetivos, para além da extração e comercialização do mármore, a promoção da utilização deste último na arquitetura e no equipamento de design, enquanto pedra natural de excelente qualidade técnica e estética, bem como o investimento na inovação ao nível de novos produtos com utilização do mármore e de técnicas de acabamento deste último.

2) Nos vários anos de vida da Formas de Pedra, são muitos os momentos que marcaram a sua atuação. Pode enumerar alguns dos momentos mais marcantes na história da empresa?

A partir de 2015 a empresa iniciou uma outra vertente do seu negócio: o design e a produção de mobiliário e objetos de decoração de interiores e exteriores para habitação e hotelaria, dirigidos a um segmento de mercado de gama alta / luxo, sendo o design de tais produtos concebido por uma sócia-gerente da empresa e arquiteta de profissão, Paula Moucheira. Para o efeito, a empresa utiliza a pedra que não tem dimensão, nem forma, compatíveis com a sua utilização na atividade de construção, desta forma apostando na sustentabilidade dos recursos naturais.

No âmbito dessa atividade, a Formas de Pedra foi convidada a exibir produtos de mobiliário e decoração concebidos para sala de estar, casa de banho e cozinha, fabricados com o seu mármore e alguns com design da empresa, nas edições da Casa Decor Madrid de 2016, 2017 e 2108, integrando uma delegação de empresas portuguesas presentes na área reservada à Embaixada Portuguesa. A empresa averbou algum sucesso nesses eventos, traduzido em propostas de trabalhos de decoração de interiores. Na edição de 2018, um dos objetos produzidos com o seu mármore, uma “ilha” de cozinha concebida pela designer espanhola Beatriz Silveira, obteve uma menção honrosa para o Melhor Design Original.

Em 2017, a Formas de Pedra foi também convidada a produzir peças concebidas pelos designers Jasper Morrison (“Alpinina Bowl”) e Michael Anastassiades (‘Forbidden Fruit”), no último caso utilizando mármore extraído das suas pedreiras, tendo tais peças sido  expostas, no mesmo ano,  em São Paulo (exposição “Common Sense”), Londres (“Set in Stone”), Lisboa (“Drawing in Stone”) e Nova Iorque (“Primeira Pedra”), eventos organizados pela associação “ExperimentaDesign”, no âmbito do projeto “Primeira Pedra”, destinado a promover a pedra natural portuguesa.

A Formas de Pedra foi ainda convidada a exibir objetos decorativos por si concebidos e produzidos na exposição “3 Days of Design” que decorreu em Copenhaga em Maio de 2018, evento promovido pela AICEP, em colaboração com a Embaixada de Portugal na Dinamarca.

Mais recentemente, a Formas de Pedra concebeu e produziu um conjunto de objetos de mobiliário acoplando o seu mármore à cortiça, em parceria com a empresa Stork Composites, correspondendo a um desafio que lhe foi lançado por esta última.

3) Se a história e os eventos mais marcantes no passado nos ensinam hoje a tomar decisões mais ponderadas, na sua análise, o que avalia como grandes desafios e constrangimentos ao crescimento da organização?

Como pequena empresa de criação relativamente recente e tendo atravessado, numa fase muito inicial da sua existência, a crise económico-financeira que assolou Portugal entre 2011 e, sensivelmente, 2014 – a qual atingiu de forma particularmente grave o setor da construção civil e, com ele, o setor da extração e transformação de pedras naturais -, a Formas de  Pedra  atravessou um período de interrupção do seu processo de crescimento entre os anos referidos. Só a partir de 2015 a empresa pôde dispor de uma maior capacidade financeira para iniciar o processo da sua internacionalização e, por essa via, de diversificação da sua clientela, ainda hoje essencialmente assente no mercado nacional.

Os principais desafios que se colocam à empresa nos próximos anos são os do aumento da sua capacidade de produção e de diversificação de clientela, designadamente com a captação de clientes nos mercados internacionais.

Nesse sentido, desde 2016 que a empresa tem vindo a promover o alargamento das frentes de exploração das pedreiras, com vista ao aumento da sua capacidade extrativa, e, desde o final de 2014, tem vindo a dar alguns passos no sentido da sua internacionalização, através da participação em feiras e missões empresariais.

Algumas participações da Formas de Pedra em feiras internacionais, como a  Natural Stone Show 2015, em Londres, ou a Saudi Build and Stone Tech 2016, na Arábia Saudita, bem como em missões empresariais ao Perú, Emirados Árabes Unidos e Marrocos, não se traduziram ainda em vendas para tais mercados, não obstante o interesse demonstrado pelo mármore da empresa.

A empresa está consciente de que a captação de clientes nesses e noutros mercados exige uma estratégia de internacionalização devidamente planeada, assente na seleção e estudo dos mercados-alvo, em ações de marketing eficazes e no estabelecimento de parcerias adequadas aos seus objetivos. E tem também consciência da forte concorrência que se verifica no mercado das rochas ornamentais, não só a nível nacional, mas sobretudo a nível internacional.

Ao nível da vertente relacionada com a produção de objetos de design, e para além de necessidade de internacionalização, a empresa necessita ainda de apostar numa diversificação das parcerias com empresas transformadoras que disponham de equipamento de produção compatível com os novos produtos e técnicas de acabamento em que a empresa pretende continuar a apostar.

4) A internacionalização é um processo cada vez mais utilizado pelas empresas portuguesas para sustentar o seu crescimento nos mercados internacionais. No caso da Formas de Pedra, qual é a estratégia de internacionalização em curso?

A estratégia da Formas de Pedra para a sua internacionalização passa por uma ponderação seletiva e um estudo prévio aprofundado dos mercados para os quais a empresa tem interesse em exportar.

A esse nível, e no segmento do fornecimento de mármore para construção, a empresa pretende apostar nos mercados dos países do Golfo Pérsico e do Magrebe e de alguns países da América Latina, como o México, o Perú e a Colômbia. No segmento do equipamento de design, a empresa pretende exportar essencialmente para mercados europeus: Itália, França, Alemanha, Reino Unido, países do Benelux e países escandinavos.

Depois, a empresa necessita, naturalmente, de prosseguir uma estratégia de contactos diretos (pessoais) reiterados com importadores e distribuidores de rochas ornamentais, empresas de construção e respetivos consultores técnicos e empresas de comercialização de objetos de design, contactos esses que são essenciais nos mercados em que o comércio online não constitui ainda uma prática negocial consolidada. Para esse efeito, será importante a presença em feiras e missões empresariais,  mas também o estabelecimento de parcerias locais, designadamente, com importadores e distribuidores ou, nalguns casos, com  agentes comerciais.

Por último, a Formas de Pedra considera ainda ser da maior importância o estabelecimento de parcerias com empresas exportadoras do setor da construção que tenham já uma posição consolidada nos mercados para onde a empresa pretende exportar.

5) O PME Connect é um programa de apoio à internacionalização das empresas portuguesas com a particularidade de aproximar as PME das grandes empresas. Quais as razões que fundamentaram a decisão da empresa em aderir ao programa PME Connect?

Conforme foi referido na resposta à pergunta anterior, a Formas de Pedra considera ser da maior relevância, como estratégia de penetração nos mercados-alvo para onde pretende exportar, o estabelecimento de parcerias com empresas exportadoras do setor da construção que tenham já uma posição consolidada em tais mercados e que, por essa via, possam facilitar a comercialização dos produtos da empresa nesses mercados.

6) O que falta para ter ainda melhores resultados na internacionalização?

No âmbito da sua estratégia de internacionalização, a Formas de Pedra considera neste momento como objetivos prioritários o estabelecimento de parcerias com importadores e distribuidores de rochas ornamentais nos mercados para onde pretende exportar e de parcerias com empresas exportadoras do setor da construção que tenham já uma posição consolidada em tais mercados.

7) Por último, quais são os planos para o futuro da Formas de Pedra?

A Formas de Pedra pretende continuar a investir no aumento da sua capacidade extrativa, como base essencial para o crescimento do seu volume de negócios.

Paralelamente, pretende avançar no processo da sua internacionalização, como forma de diversificação de clientes e de promoção do crescimento do volume de vendas.

A empresa tem ainda como objetivo estratégico continuar a apostar na inovação, ao nível de novos produtos com utilização do mármore e de técnicas de acabamento deste último, em associação com laboratórios e outros centros de investigação em pedra natural.

Finalmente, pretende continuar a investir no segmento da produção de equipamento de design, utilizando o seu mármore.

Sobre a Formas de Pedra

A Formas de Pedra é uma empresa de pequena dimensão e âmbito familiar, com 4 sócios-gerentes e 14 colaboradores, repartidos entre as suas 2 pedreiras e os seus escritórios.

Das suas pedreiras, a empresa extrai 2 tipos de mármore: o “Branco Venado de Pardais”, pedra de cor branca / bege com veios castanhos-claros ou, por vezes, cinzentos ou avermelhados, e o “Cinza Pardais” (também conhecido por “Azul Lagoa”), de cor branca, com veios cinzentos-claros.

O volume médio anual de extração de mármore é de cerca de 38.000 m3 e a rentabilidade média é de 35% do mármore extraído.

A empresa comercializa o mármore extraído em bloco ou como produto acabado, recorrendo, para o efeito, a parcerias com empresas de transformação.

Tem registada em seu nome a marca dos objetos de equipamento cujo design é concebido por si (“Formas de Pedra”) e o modelo industrial de um novo tipo de acabamento do mármore em baixo-relevo (designado por “Veinstone”).

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