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«A probabilidade de Portugal entrar em recessão em cinco anos é de 55%»

Miguel St. Aubyn nos Open Days PME Connect

«A probabilidade de Portugal estar em recessão num ano é de cerca de 15% e a probabilidade de entrar em recessão a qualquer momento durante um período de cinco anos é de aproximadamente 55%», alertou Miguel St. Aubyn, vogal executivo do Conselho de Finanças Públicas, na sua intervenção nos Open Days PME Connect, que decorrem no Auditório da Casa da América Latina e UCCLA, em Lisboa, de 20 a 22 de fevereiro.

O economista defendeu que o crescimento de Portugal na recuperação da crise financeira tem sido insuficiente para o que seria necessário, o que nos coloca muito atrás de outros países da Europa.

No que respeita à evolução do PIB «a trajetória recente é de acentuada divergência», sustentou o economista, que recordou ainda o facto de não haver melhoria significativa da produtividade entre 2000 e 2017, devido à falta de investimento e de capital físico. No entanto, acrescentou Migue St. Aubyn (que frisou intervir a título pessoal), existe alguma evolução positiva, fruto do esforço político para a consolidação das contas públicas, como o congelamento de salários, aumento de impostos e abandono de alguns investimentos públicos importantes.

Paralelamente a este esforço de consolidação orçamental aumentou igualmente a dívida pública, devido a várias operações que vão além da relação défice/dívida, e da assunção de algumas dívidas de empresas públicas que não estavam contabilizadas e as ajudas ao setor bancário. A balança comercial, por sua vez, conseguiu alcançar terreno positivo, com as exportações líquidas a crescer graças ao empreendedorismo dos empresários, que procuraram mais os mercados externos para compensar a falta de procura interna. Aqui, como explicou o macroeconomista, teve também teve um peso fundamental a depreciação interna, com medidas de desvalorização de salários no setor público, por exemplo.

Na sua análise, Miguel St. Aubyn destacou que a produtividade do trabalho tem sofrido com a falta de investimento no capital humano, nomeadamente na formação dos jovens, já que em nenhuma região do país o número de jovens na casa dos 30 anos com ensino superior ultrapassa os 30%, e boa parte destes graduados sai do país, anulando as mais-valias que a formação superior poderia trazer internamente. «Este país está a subutilizar um dos seus recursos mais importantes, os jovens instruídos», defendeu o economista. As taxas de emigração em 2013 estavam efetivamente próximas de percentagens dos anos 60 e 70, temos uma população envelhecida, com um enorme peso nas contas públicas.

A diminuição da população em Portugal “a um ritmo considerável” foi outra das preocupações manifestada pelo economista, que justificou esse facto com a emigração e o declínio da taxa de natalidade. «Assistimos a uma tendência de envelhecimento impressionante, que coloca pressão nas contas públicas e na segurança social», sustentou, lembrando que «em 2016 um quinto dos portugueses tinha mais de 65 anos e em 2070 mais de um terço das pessoas terá mais do que 65 anos».

No ranking de competitividade dos países, Portugal é o número 34 em 140, «o que à partida não parece mal», referiu. Detalhando, apontou um dos aspetos em que estamos melhor, as infraestruturas, mas também os setores onde estamos pior, nomeadamente o setor financeiro, com a falta de solidez da banca, no funcionamento do sistema judiciário, na nossa atitude face ao risco, na escolaridade, no financiamento das PME, entre outros aspetos que transformam a nossa posição num quadro negativo, que urge melhorar, alertou Miguel St. Aubyn.

Os “Open Days PME Connect” são um evento de business networking em que serão partilhadas experiências no âmbito do projeto PME Connect e feito um balanço do trabalho realizado até aqui, no Auditório da Casa da América Latina e UCCLA, em Lisboa. Ao longo dos três dias, de 20 a 22 de fevereiro, intervirão mais de 80 oradores, entre representantes de grandes empresas portuguesas, PME e organismos públicos, representações diplomáticas, académicos e membros do governo, serão apresentados, igualmente, casos concretos de experiências internacionais, para além de serem transmitidas diferentes visões e conhecimento sobre a internacionalização e competitividade da economia portuguesa.

Este evento de business networking está aberto à participação de todos os interessados, que poderão inscrever-se através do site https://aippmeconnect.com/.

Autor: Midlandcom, Consultores de Comunicação, Lda.
Fotografias: Joaquim Morgado, Color Shop

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