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«Energia tem sido o calcanhar de Aquiles da nossa economia»

Nuno Ribeiro da Silva nos Open Days PME Connect

«O setor da Energia tem sido um calcanhar de Aquiles para a nossa economia e para o nosso País, mas há uma boa notícia: o que se tem falado da transição energética vai acontecer e de forma acelerada», defendeu Nuno Ribeiro da Silva, CEO da Endesa, na sequência do debate sobre o setor energético nos Open Days PME Connect. «É um novo paradigma em que a oferta da energia, não só elétrica, é cada vez mais modelável, e há uma maior democratização da engenharia e hardware que alimenta as diferentes fileiras energéticas. E isto são boas notícias para Portugal», salientou.

Nuno Ribeiro da Silva começou por chamar a atenção que o setor de Energia sempre esteve vulnerável ao custo das commodities, mas também aos equipamentos, com estes a serem também ao longo de décadas completamente importados, com os mesmos players a dominar o mercado mundial. No entanto, há um novo facto que é a pressão a que todos os players estão sujeitos para usar a energia de forma responsável, pensada, com menos desperdício, na oferta mas também no uso final. Isto abre um grande número de possibilidades ao nível da inovação e das tecnologias, para aumentar a eficiência.

«Neste momento todos os nossos equipamentos são postos em causa, todos sem exceção, até, por exemplo, os materiais de construção, que têm de oferecer a máxima eficiência energética, ou a gestão da água», alertou Nuno Ribeiro da Silva, acrescentando: «e nós somos capazes, temos escala e temos boa gente a fazer coisas extraordinárias, temos conhecimento para ter muito mais protagonismo nas soluções do paradigma energético/ambiente que está a surgir, e estas são as boas notícias».

(da esquerda para a direita): Carlos Madeira (EDP), Filipe Lopes (EFACEC), Paulo Carmona, e Miguel Ferreira (MegaJoule).

«Portugal sempre foi um país pobre em recursos energéticos, mas temos outros recursos e competências muito importantes, que nos permitem ser um importante player do setor», referiu Paulo Carmona, moderador do painel dedicado à Energia, um dos setores em destaque no projeto PME Connect, lançando o debate com os representantes da EDP, da MegaJoule e da EFACEC nos Open Days PME Connect.

Carlos Madeira, administrador da EDP Internacional, apresentou a empresa e os mercados onde intervém, nomeadamente da América Latina, em África, na Ásia, em consultoria e serviços. Quanto aos problemas e desafios do mercado externo, Carlos Madeira salienta que há particularidades em todos os países, mas não necessariamente problemas. De forma transversal, o principal desafio do setor elétrico é a cibersegurança, principalmente pelo desconhecimento que ainda temos do assunto.

«Hoje temos pela frente um mundo muito diferente de há dez anos para uma empresa como a EDP: os consumidores hoje são mais atentos e participativos e querem ter uma palavra a dizer na gestão da sua conta elétrica; estamos sujeitos ao escrutínio de todos, os reguladores e todas as outras empresas que entram no setor; hoje temos uma série de fatores novos que interferem na estrutura do próprio setor; há novos desafios associados ao armazenamento de energia; e existe o impacto da tecnologia no próprio negócio», descreveu o administrador.

Miguel Ferreira, CEO da MegaJoule, apresentou «uma pequena empresa fortemente internacionalizada que exporta serviços e consultoria de engenharia na área dos recursos eólico e solar». É uma área muito específica que exige muita atenção e inovação para fazer frente à competitividade, nomeadamente aumentando o leque de serviços para trabalhar em todas as fases dos projetos. A necessidade de internacionalizar surgiu cedo e foi considerada desde logo uma prioridade, e aqui a estratégia foi e é fundamental: estar atento aos mercados, ter a capacidade de fazer parcerias com empresas e contactos locais, procurar, viajar e conhecer, mas ter a noção de que é um desafio complexo, que exige investimento e tempo; e ter parcerias com outras empresas com serviços complementares.

A EFACEC é uma empresa que está a aprender a encarar o mercado de outra forma, já que a posição de Portugal é também diferente. Filipe Lopes, Business Development Director Americas & Iberia da empresa, falou das parcerias com outras empresas portuguesas, mesmo concorrentes: «Temos de pensar que os nossos concorrentes cá dentro podem ser nossos parceiros lá fora», salientou, mostrando a importância de «ir lá para fora em conjunto».

O responsável salientou igualmente a necessidade de ter uma ligação forte às instituições de ensino superior, universidades e politécnicos, essenciais à inovação. «Os mais novos não vão tirar o lugar a ninguém, pelo contrário, têm muito a aprender, mas também a ensinar», destacou, «e neste campo a EFACEC aprendeu muito, embora seja uma empresa com 70 anos».

Se as empresas não forem sustentáveis e tiverem recursos, a internacionalização pode ser muito complicada, alertou Carlos Madeira, porque é preciso ter «balanço» para aguentar um revés, e «a probabilidade de as coisas correrem mal lá fora é muito maior do que no mercado interno». Quanto às parcerias, o responsável alerta igualmente para o perigo de ter um «mau parceiro», porque isso pode arruinar a entrada num mercado. «Desenvolver parcerias sim, mas com muita cautela, muito foco e muita paciência», avisa, acrescentando, no entanto, que a EDP procura quase sempre trabalhar com parceiros, nomeadamente portugueses, equilibrando benefícios, mas também riscos.

A necessidade de prever e antecipar problemas, e ter uma “bagagem” consistente para aguentar um processo de internacionalização que pode correr menos bem foi um alerta deixado igualmente por Miguel Ferreira. Nestes casos, o equilíbrio e o redimensionamento são essenciais, porque pode não ser necessário desistir, apenas mudar a estratégia. Tudo depende da dimensão da empresa, do tipo de negócio e do mercado em causa.

Foco, resiliência e criatividade são os aspetos fundamentais para a internacionalização, segundo Filipe Lopes. Aprender com os erros e não ter problema de assumir e dizer que corre bem quando corre bem, ou de dar um passo atrás quando corre mal.

Ricardo Reis, professor da Universidade Católica Portuguesa, alertou para o contexto tarifário a nível nacional, e por isso todos temos de contribuir, e por isso é fundamental aliviar a carga fiscal, beneficiando a expansão e crescimento das empresas. Temos, no entanto, uma caraterística que é quase única: Portugal tem uma enorme vantagem ao nível da transparência corporativa, vantagem essa que deve ser usada pelas empresas, e exigi-la também aos seus fornecedores. Em termos de captação de investimento esta pode também ser uma grande mais-valia que as empresas podem e devem aproveitar.

Os “Open Days PME Connect” são um evento de business networking em que serão partilhadas experiências no âmbito do projeto PME Connect e feito um balanço do trabalho realizado até aqui, no Auditório da Casa da América Latina e UCCLA, em Lisboa. Ao longo dos três dias, de 20 a 22 de fevereiro, em que intervirão mais de 80 oradores, entre representantes de grandes empresas portuguesas, PME e organismos públicos, representações diplomáticas, académicos e membros do governo, serão apresentados, igualmente, casos concretos de experiências internacionais, para além de serem transmitidas diferentes visões e conhecimento sobre a internacionalização e competitividade da economia portuguesa.

Este evento de business networking está aberto à participação de todos os interessados, que poderão inscrever-se através do site https://aippmeconnect.com/.

Autor: Midlandcom, Consultores de Comunicação, Lda.
Fotografias: Joaquim Morgado, Color Shop

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