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«Estamos numa fase de desaceleração económica e demonstramos incapacidade para a ultrapassar»

António Mendonça, ex-ministro das Obras Públicas do PS

«Voltamos a estar numa fase de desaceleração económica, em que mostramos incapacidade de ter dinâmicas para a ultrapassar», salientou António Mendonça, professor catedrático do ISEG e ex-ministro das Obras Públicas do PS, no âmbito dos Open Days PME Connect, que decorrem em Lisboa de 20 a 22 de fevereiro.

O economista evocava na sua intervenção os 50 anos da publicação da obra de Francisco Pereira de Moura, “Para onde vai a economia portuguesa?”, uma obra que marcou na altura a reflexão sobre a estratégia económica portuguesa. Os paralelismos com a atualidade, segundo António Mendonça, são muitos: o modelo económico no início da década de 70 estava esgotado, existia falta de investimento público e privado, e Portugal divergia muito dos países mais desenvolvidos na Europa.

«Esta proposta continua a ser atual, pois voltamos a estar numa fase de desaceleração económica, em que mostramos incapacidade de ter dinâmicas para a ultrapassar», salientou António Mendonça. «O choque do euro sobre a economia portuguesa, que se aprofundou com a crise económica e financeira internacional de 2008-2009, contribuiu para a taxa miserável de crescimento do País». Acrescentou ainda que «o Euro não funcionou como mecanismo de ajustamento». O professor frisou também algumas das forças económicas que se têm tornado emergentes e cimeiras, dando como exemplo o mercado chinês, os seus bancos, a sua moeda e a sua língua.

António Mendonça deixou algumas linhas orientadoras para um novo modelo económico para Portugal: redefinir estrategicamente o país, uma aposta no fortalecimento da estrutura empresarial (grandes, médias e pequenas empresas), a aposta numa reindustrialização, a redução da dependência do Turismo como falta de dinamismo económico, o reforço da parceria estratégica ibérica, e a valorização da nossa posição geográfica atlântica.

«Empresas portuguesas conseguiram crescer num contexto interno muito desfavorável»

«Em plena crise económica, assistimos a um período pujante no setor empresarial privado num quadro perfeitamente adverso da economia portuguesa, nomeadamente a nível fiscal, ou seja, as empresas portuguesas conseguiram crescer num contexto que lhes era muito desfavorável», referiu Paulo Caldas, diretor de Economia, Financiamento e Inovação da AIP-CCI, na sua intervenção nos Open Days PME Connect.

«Os empresários portugueses são uns heróis, porque conseguiram ultrapassar as adversidades que foram causadas por medidas que estrangularam as empresas e uma forte carga fiscal», destacou. O economista explicou que grande problema que a nossa economia atravessa é de dimensão qualitativa e de competitividade internacional, com um crescimento muito alavancado pelo trabalho do setor empresarial privado.

Muito embora as empresas apostem ainda mais nas economias tradicionais (como os países europeus), a aposta nos mercados emergentes é cada vez maior, refere Paulo Caldas, graças à cooperação, a um maior acesso à informação, ao nível de formação dos recursos humanos, entre outros aspetos. Ainda que exista um caminho positivo, é necessário um reforço significativo, com novas ações que tenham aplicação efetiva e tragam valor acrescentado. 

«Nos próximos dez anos podemos chegar aos 50% do peso das exportações no PIB, mas acredito que podemos chegar aos 60 ou 70%, com medidas e projetos de sinergia e interligação de esforços, como é o PME Connect». Este projeto pretende alavancar as PME nacionais, fazendo assim crescer a internacionalização e as exportações, e esta é uma ambição que já está a concretizar-se, nas parcerias criadas entre as PME e os Grupos Fortemente Internacionalizados. Em 2020 e 2021 irá para a frente a segunda fase deste projeto, com mais de duas centenas de pequenas e médias empresas envolvidas.

Conhecimento dos mercados e parcerias locais são fundamentais na internacionalização das PME

O conhecimento dos mercados e as parcerias locais são fundamentais para o processo de internacionalização, defenderam hoje os representantes das empresas CAPA, da Dalmática e da A1V2, os casos de sucesso apresentados por Pedro Janeiro, da Deloitte Portugal.

(da esquerda para a direita) Pedro Janeiro (Deloitte Portugal), Marlene Maia (Dalmática), Carla Inácio (CAPA) e Luís Casaleiro Correia (A1V2).

Carla Inácio, administradora da CAPA, salientou que o trabalho em rede foi essencial desde a primeira hora, tirando partido do networking, das parcerias, dos instrumentos disponíveis, para fazer uma aposta o mais direcionada possível. Analisar o mercado e perceber o que o mercado precisa foi igualmente essencial para escolher e desenvolver o produto, com foco na inovação e diferenciação.

A A1V2 faz projetos de arquitetura e urbanismo e fiscalização, tem 20 anos e internacionalizou-se há 14 anos. Neste processo, Luís Casaleiro Correia destaca que o conhecimento dos mercados foi essencial, porque todos têm as suas particularidades, além de uma escolha detalhada de parceiros locais: que possibilidades, qual se adapta melhor à empresa.

A Dalmática, empresa de conservação e restauro, aposta sobretudo nas equipas, nos recursos humanos especializados. São essas equipas que fazem a diferença quando se deslocam aos destinos onde a empresa opera, «sempre de bandeira portuguesa na manga», como destaca Marlene Maia, fundadora da empresa. A internacionalização começou no Panamá, onde a empresa tem já uma larga experiência e a confiança das autoridades panamianas.

Na internacionalização, que começou há 20 anos, a CAPA diversificou as escolhas de mercados, entre mercados mais maduros e mercados emergentes, com muitas especificidades, mas em que a empresa acreditava poder fazer grande diferença. O resultado, salienta Carla Inácio, é o facto de hoje os projetos e os clientes virem muitas vezes da credibilidade que a CAPA já tem, e do passa-palavra.

Angola foi, na internacionalização da A1V2, o pontapé de saída. Aqui começaram os projetos, sobretudo em obras e fiscalização, que depois se estenderam a outros países africanos, como a Namíbia e Marrocos. A América do Sul entrou recentemente nos mercados da empresa, que chegará em breve também à Índia, num total de oito países.

«É preciso conhecer muito bem o mercado, conhecer as pessoas e conquistar o cliente, que é quem toma a decisão», aconselhou Marlene Maia, acrescentando a estas premissas o rigor e o respeito pela deontologia, especialmente na área do restauro em que a preservação do património é a base de todo o trabalho. É graças a esse rigor que a Dalmática começa a ser conhecida, e que chega agora por exemplo a Cuba, onde começa a desenvolver algum trabalho.

O recurso ao AICEP é o conselho deixado por Carla Inácio e Luís Casaleiro Correia, um passo fundamental para o conhecimento de novos mercados e para o acesso a instrumentos de apoio que podem ser fundamentais. A cooperação e o trabalho conjunto são os aspetos destacados por Marlene Maia para enfrentar e conquistar novos mercados.

Os “Open Days PME Connect” são um evento de business networking em que serão partilhadas experiências no âmbito do projeto PME Connect e feito um balanço do trabalho realizado até aqui, no Auditório da Casa da América Latina e UCCLA, em Lisboa. Ao longo dos três dias, de 20 a 22 de fevereiro, em que intervirão mais de 80 oradores, entre representantes de grandes empresas portuguesas, PME e organismos públicos, representações diplomáticas, académicos e membros do governo, serão apresentados, igualmente, casos concretos de experiências internacionais, para além de serem transmitidas diferentes visões e conhecimento sobre a internacionalização e competitividade da economia portuguesa.

Este evento de business networking está aberto à participação de todos os interessados, que poderão inscrever-se através do site https://aippmeconnect.com/.

Autor: Midlandcom, Consultores de Comunicação, Lda.
Fotografias: Joaquim Morgado, Color Shop

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