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PME internacionalizadas com sucesso mostram qualidade portuguesa no estrangeiro

PME Connect criou novos negócios e novas oportunidades de internacionalização

Ter foco, analisar, conhecer, estudar bem os mercados, ser paciente e persistente para aguardar por negócios que podem demorar cinco, seis ou sete anos a concretizar, continuar a criar confiança no parceiro e nos clientes através da qualidade e cumprimento de prazos, são os conselhos dos responsáveis das PME de sucesso apresentadas no segundo dia dos Open Days PME Connect. Portuguese Business Center, Mobintec e Dauti são as empresas portuguesas em destaque, e que estiveram envolvidas no projeto PME Connect.

Isabel Santos, fundadora da Portuguese Business Center, explicou que a entrada no México, em 2011, foi complexa, sentiram que era um mercado muito desconhecido para os portugueses. Mais tarde, e fruto do trabalho desenvolvido com a Ecochoice, de que foi fundadora e CEO, foram desafiados pela AICEP a apoiar outras empresas na entrada neste país, nascendo a Portuguese Business Center, que acompanha atualmente 15 empresas portuguesas no México. Isabel Santos destaca a capacidade das empresas em serem flexíveis e também as sinergias com outras empresas portuguesas para as levar para este mercado como fatores de sucesso na internacionalização.

Fernando Pinto, fundador da Mobinteg, revelou que «é preciso correr muito, mas, se formos persistentes e continuarmos a bater às portas, os resultados aparecem». Depois de trabalhar alguns anos no estrangeiro, Fernando Pinto quis voltar a Portugal e lançar o seu próprio projeto, que avançou para a internacionalização com muita persistência e uma grande aposta nos contactos de proximidade com os clientes, começando pelo mercado norte-americano. Hoje os projetos já surgem um pouco pelo passa-palavra, o que demonstra o posicionamento da empresa ao nível das tecnologias, nos mais diversos setores.

Para uma PME que se quer internacionalizar seria necessário que existissem mais apoios ao nível interno, ao nível da legislação, dos financiamentos, da banca, da mobilização e contactos para chegar a outros mercados, etc., salienta Fernando Pinto, revelando que 80% do mercado da Mobinteg está nos EUA, e os restantes 20% na Europa e Brasil.

José Alberto de Castro, CEO da Dauti, contou com cresceu a empresa, com origem nos têxteis para outras marcas e marca própria. Em 2009 perderam 70% dos clientes, e foi necessário redefinir a estratégia da empresa para produção apenas de marca própria, especializando-se em uniformes para turismo, e abrindo portas para novos mercados no estrangeiro. Para chegar aos mercados estrangeiros, a proximidade e a insistência fazem a diferença: «O nosso negócio não é B2B nem B2C, é de pessoas para pessoas. Ir ao terreno, individualmente ou em missões e conhecer as pessoas».

A importância das parcerias é destacado por Isabel Santos, já que podem servir de apoio para evitar erros de empresas que cheguem pela primeira vez a um mercado. «A partilha de experiências de ideias é fundamental, sejam positivas ou negativas», explica, e a internacionalização deve contar com parceiros nacionais e com parceiros locais para essa troca de experiências, «porque se não temos esta flexibilidade de partilha não vale a pena irmos para mercados externos».

Além das parcerias, Fernando Pinto destaca a capacidade de entregar resultados para estabelecer relações de confiança com os clientes, nos mercados onde este é um aspeto muito valorizado, e que faz a diferença na escolha dos fornecedores. Quanto às falhas, estas podem seguramente afetar a confiança e deitar a perder um projeto, e todo um processo de internacionalização.

Pedro Cilínio, diretor de Investimento para a Inovação e Competitividade Empresarial do IAPMEI, destaca o apoio à inovação e o reforço das competências estratégicas das empresas para que possam ter sucesso nos mercados externos. O IAPMEI atua na captação do investimento abaixo dos 20 milhões de euros para PME, e tem 6.500 projetos em curso, com uma capacidade de aumento das exportações muito significativo. Estas orientações têm-se traduzido em resultados, com uma balança de transações positiva, e 44% do PIB em exportações, mas com necessidade de aumentar, pelo menos até aos 50%.

É muito importante que as empresas invistam noutras áreas que são fundamentais para incrementar a competitividade, como a Indústria 4.0, a Economia Circular e a Transição Energética, alertou o responsável do IAPMEI. A inovação esteve em destaque na apresentação de Pedro Cilínio, um fator de grande diferenciação para as empresas que se queiram internacionalizar.

Manuel Mira Godinho, economista do ISEG, salientou que em Portugal as pequenas empresas até 50 trabalhadores têm um maior peso relativo que na União Europeia, e contribuem com 61% do emprego. Entre 2010 e 2016 na UE há uma estabilidade nestes dados, em Portugal o número de empresas mantém-se, mas reduz-se o peso no emprego. No entanto, numa perspetiva de longo prazo, a dimensão média das empresas diminuiu nas últimas décadas.

Relativamente à produtividade das empresas não financeiras, há um gap significativo entre o valor de Portugal e o da União Europeia. A produtividade das microempresas é menor face à UE, valor que vai aumentando, e aproximando-se da média europeia e até passando, à medida que aumenta a dimensão das empresas. Relativamente à evolução do valor da produtividade do trabalho, este cresceu 3,6% entre 2010 e 2016, sendo que a evolução é um pouco superior à média nas empresas de menor dimensão. Face à enorme assimetria entre as maiores e menores empresas, em que os resultados e o desempenho são mais fracos, o que resulta num crescimento global da economia que é baixo.

A SONAE MC foi um dos grandes grupos envolvidos no PME Connect, no mentoring de empresas do setor do retalho. Rui Rodrigues, export manager, exemplifica o caso de uma das PME que, com a parceria da SONAE MC, conseguiu vender arroz na China. Nos workshops dinamizados, a SONAE MC partilhou sucessos e insucessos, e explicou todo o processo de internacionalização e as particularidades que é necessário ter em conta.

Os “Open Days PME Connect” são um evento de business networking em que serão partilhadas experiências no âmbito do projeto PME Connect e feito um balanço do trabalho realizado até aqui, no Auditório da Casa da América Latina e UCCLA, em Lisboa. Ao longo dos três dias, de 20 a 22 de fevereiro, em que intervirão mais de 80 oradores, entre representantes de grandes empresas portuguesas, PME e organismos públicos, representações diplomáticas, académicos e membros do governo, serão apresentados, igualmente, casos concretos de experiências internacionais, para além de serem transmitidas diferentes visões e conhecimento sobre a internacionalização e competitividade da economia portuguesa.

Este evento de business networking está aberto à participação de todos os interessados, que poderão inscrever-se através do site https://aippmeconnect.com/.

Autor: Midlandcom, Consultores de Comunicação, Lda.
Fotografias: Joaquim Morgado, Color Shop

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