Evento Internacionalização Media News Room Open Days PME Connect

É preciso dinamizar a diplomacia económica abertamente para benefício das empresas portuguesas

CEO do Grupo NOV defendeu uma postura transparente face à internacionalização

«É preciso dinamizar a diplomacia económica abertamente para benefício das empresas portuguesas, porque essa é uma missão dos governos de todos os países», defendeu Joaquim Paulo Conceição, CEO do Grupo NOV, no painel sobre os desafios à internacionalização no setor da construção, nos Open Days PME Connect. «Neste aspeto falha também o associativismo para promover a colaboração entre empresas do mesmo setor, é um trabalho que é de todos, e não apenas das empresas», desafiou, opinião que foi partilhada por Sérgio Martins Alves, secretário-geral da Câmara de Comércio Luso-Chinesa, que afirmou que «em Portugal não temos uma política económica externa».

Sobre as vantagens competitivas das empresas de construção portuguesas, Gonçalo Martins, CEO do Grupo Mota-Engil, destaca alguns aspetos positivos, como qualidade, a segurança e a eficiência, mas afirma que «não temos realmente vantagens competitivas em mercados mais maduros, a não ser em nichos em que as empresas possam ter alguma especialidade», como o caso da Martifer num projeto recente numa central nuclear. «Há mercados emergentes onde o mercado da construção ainda não é maduro, onde temos mais capacidade, nomeadamente na América latina e em África, e temos de apostar aí com todas as nossas competências».

Ricardo Teixeira Oliveira, CEO da COBA Brasil e vice-presidente da Câmara de Comércio Luso-Brasileira, sustentou que hoje em dia é cada vez mais difícil encontrar financiamento para as obras nos mercados estrangeiros, o que é mais evidente em África e cada vez mais evidente na América Latina, e por isso temos que ser engenhosos para encontrar financiamento para as nossas atividades». «Uma empresa que se queira internacionalizar e não esteja devidamente capacitada para o efeito não terá capacidade de arranjar financiamento», avisa, realçando, no entanto que «começa a haver uma predisposição em alguns países para serem os privados a financiar e explorar as infraestruturas, o que poderá ser uma alternativa de financiamento».

Com uma história de internacionalização de mais de 30 anos, o Grupo NOV está hoje em 11 mercados diferentes, onde faturou 900 milhões nos últimos cinco anos. «Temos história e volume», recordou Joaquim Paulo Conceição. Quanto aos requisitos para a internacionalização e aos fatores que a podem impossibilitar, o CEO destaca: a falta de solidez das empresas no mercado externo, que será essencial para sustentar o investimento nos chamados custos de entrada; encarar a internacionalização como uma “moda” e menorizar o mercado de destino, não procurando perceber que mais-valias se pode aportar ao mercado; escolher os profissionais para o desafio externo pela disponibilidade e não pela competência; escolher o mercado por critérios de proximidade a diversos níveis, e não porque os mercados precisam de nós.

As parcerias são um aspeto destacado por todos, mas essencialmente as escolhas acertadas. Sérgio Martins Alves diz que poderá haver oportunidades de cooperação com os chineses, mas é necessário olhar para estas coisas de outra forma, melhorar os quadros normativos e aproveitar oportunidades. Joaquim Paulo Conceição sublinha que as parcerias internas são um dos grandes feitos do Grupo NOV, que tem neste momento «280 empresas portuguesas a trabalhar connosco em quatro mercados, sendo que 50% dos 900 milhões que faturámos no exterior foi-nos faturado por essas empresas», acrescentando que esta é uma importante forma de fomentar a economia interna, que no cado do grupo leiriense, ajudou a impedir a falência de dezenas de empresas que se tornaram fornecedoras do projeto de habitação liderado pelo Grupo NOV para a construção de 100.000 casas em todo o mundo.

Sobre os aspetos que influenciam a atividade das empresas no estrangeiro, na América Latina a Mota-Engil encontra algumas mudanças que podem afetar o negócio ao nível da procura pública dos projetos de infraestruturas, mas, como revela, «hoje a política é volátil mesmo nos países mais estáveis, basta olhar para os exemplos da Europa. O peso que o Estado tem na Economia é que é determinante quando há mudanças políticas».

António Lagartixo, partner da Deloitte Portugal e Angola, destacou na sua intervenção que há muitos países que estão a fazer muitas coisas bem, e por isso temos de trabalhar constantemente para chegar a alvos que estão em movimento e a ser abordados por múltiplos players. Os movimentos estão acima de tudo a Este, onde a procura existe, mas existe também a oferta.

Os fatores chave para Portugal poder ter sucesso são uma oferta diferenciadora, um forte capital humano e um grande potencial competitivo, tudo isto para conseguir ter a capacidade de atrair investidores privados. Mas, lamenta o partner da Deloitte, «nestes vetores, que são fundamentais, nós não somos diferenciadores, mas temos a possibilidade de transformar as nossas fraquezas, nomeadamente incrementando a produtividade, a geração de outputs, e, para isso, é imprescindível investir no digital e na tecnologia».

António Lagartixo deixou alguns conselhos da sua própria experiência enquanto empreendedor que esteve num processo de internacionalização de uma PME durante 12 anos: pensar global, definir o foco, apostar no conhecimento e no digital, cooperar, interna e externamente, e minimizar o risco, “estando preparado para cortar o dedo para salvar o braço”.

Os “Open Days PME Connect”, um evento de business networking em que foram partilhadas experiências no âmbito do projeto PME Connect e feito um balanço do trabalho realizado até aqui, decorreu entre 20 e 22 de fevereiro no Auditório da Casa da América Latina e UCCLA, em Lisboa. O evento contou com a intervenção de mais de 80 oradores, entre representantes de grandes empresas portuguesas, PME e organismos públicos, representações diplomáticas, académicos e membros do governo, e foram apresentados casos concretos de experiências internacionais, para além de serem transmitidas diferentes visões e conhecimento sobre a internacionalização e competitividade da economia portuguesa.

Todas as informações sobre o evento disponíveis no site https://aippmeconnect.com/.

Autor: Midlandcom, Consultores de Comunicação, Lda.
Fotografias: Joaquim Morgado, Color Shop

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s