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O investimento feito na Defesa Nacional deve ser aplicado no sistema científico e no tecido empresarial

Responsável da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional sobre financiamento

«Um euro gasto na defesa tem de ser um euro gasto no sistema científico e no tecido empresarial», defendeu o Major General Cartaxo Alves, subdiretor da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, no painel dedicado à “Internacionalização no setor da Defesa” nos Open Days PME Connect, hoje, em Lisboa. O responsável falou sobre as prioridades da Lei de Programação Militar, que tem como objetivo adequar os recursos à capacidade evolutiva do setor, garantindo que «vai haver um forte empenhamento da Defesa Nacional ao nível científico e do tecido empresarial».

«Mas a Lei de Programação Militar não é o único instrumento de financiamento que existe», alertou, «existem outros, por isso deixo o desafio para as empresas olharem para outros projetos que podem ser grandes oportunidades para as empresas, e estas estão no Fundo Europeu de Defesa». O Major General explicou que o setor tem vindo a desenvolver-se para áreas mais abrangentes e distintas, que se ligam a um ecossistema necessário ao funcionamento da Defesa, quer de compra de equipamentos, quer da sua manutenção, modernização, etc., num ciclo mais abrangente que nos leva a uma maior relação com as empresas e com o tecido empresarial.

Neste âmbito, a Direção Geral trabalha no registo e verificação de empresas que produzem bens para a Defesa Nacional, na facilitação da relação das empresas nacionais com os seus users para inovar, melhorar e adaptar os produtos aos seus fins, e facilitação da concretização de alguns negócios internacionais; e ainda a facilitação no acesso às organizações internacionais (como a agência de procurement da NATO, por exemplo) para processos de credenciação e negociação em áreas tão diversas como a construção civil e outras, criando excelentes oportunidades de negócio para as empresas nacionais.

«A cooperação com o ramo das forças armadas foi fundamental para dar qualidade aos produtos e também para levar estes produtos além-fronteiras», salientou Pedro Petiz, Head of TEKEVER Autonomous Systems, no mesmo painel. A empresa conseguiu através da aposta na internacionalização entrar num mercado muito tradicional que é o aeronáutico, num setor em que Portugal não é particularmente conhecido, e num mercado me que existem muitas barreiras.

«Para ter sucesso é necessário colocar os produtos nas mãos das pessoas que sabem do assunto para poder adaptar e aprender», explicou Pedro Petiz, ideia validada pelo Major General Rosas Leitão, vice-presidente da AFCEA – Associação para as Comunicações, Eletrónica, Informações e Sistemas de Informação para Profissionais, cujo objetivo é ligar as entidades ligadas à Defesa Nacional às empresas e à economia, por exemplo em áreas como a cibersegurança.

O responsável da AFCEA defendeu que nesta área são fundamentais a inovação, mas essencialmente a confiança que se consegue com o acesso aos ramos da Defesa Nacional, que têm uma cultura própria, e a melhor forma de as empresas aprenderem essa cultura é trabalhar diretamente com a Defesa, com os utilizadores. «A network administrative organization é uma área fundamental para conseguir trabalhar e entrar com o produto e ter sucesso, criando redes de contactos», explicou.

«Estamos preocupados em que o produto seja usado, seja mantido e seja renovado. Uma empresa que entra neste setor normalmente não sai porque tem muito trabalho a fazer ao nível do ciclo de vida do produto, e isto só é possível a conhecer e a falar com as pessoas, a criar relações de confiança», realça, tarefa que pode ser facilitada com a cooperação com empresas mais experientes, que já estejam nos mercados.

O AED – Aeronautics, Space and Defense Cluster é constituído por 65 empresas com um turnover de 1,87 mil milhões de euros, 18.500 empregos e uma taxa de internacionalização de 87%. Está baseado no eixo da economia do conhecimento, relacionado com a formação dos recursos humanos, a cooperação em rede, nomeadamente os consórcios, para ter acesso aos mercados internacionais (fundo Europeu de Defesa), e a internacionalização.

O Major General José Cordeiro, presidente do AED Cluster, presente neste painel ligado à internacionalização da Defesa, apontou, para a necessidade de tornar o nome de Portugal conhecido neste setor para cativar investimento e para trabalhar em consórcio: «Só assim é possível ter acesso ao Fundo de Defesa Europeu, ganhar valor na cadeia de fornecimento e ter acesso a projetos internacionais». O Major General exemplificou este trabalho com o consórcio liderado pela empresa portuguesa TEKEVER para o projeto Infante – microssatélites e microlançadores –, que agrega um conjunto de empresas nacionais que são concorrentes numas áreas, mas parceiros noutras que exigem massa crítica e valor acrescentado para conquistar os mercados externos.

Quanto aos objetivos para o cluster, o responsável afirma que é preciso duplicar a relação com o PIB e chegar a 2024 com 3%, duplicar a capacidade no fator inovação, e promover o conhecimento de Portugal neste setor (estar presente nos grandes eventos internacionais). «Fazemos parte de uma rede de 41 clusters a nível europeu, mas Portugal é pouco conhecido a nível internacional, e é nisto que é preciso trabalhar», alertou.

No final do painel, Pedro Petiz lançou na discussão o desafio de, mais do que ter uma Lei de Programação Militar, ter uma estratégia para a Defesa Nacional. Rosas Leitão propõe nesta estratégia ligar a Defesa, o ensino superior e empresas, enquanto José Cordeiro priorizou a obtenção em tempo oportuno da informação sobre os projetos que estão a decorrer, para se apresentarem ideias e criar consórcios capazes de competir a nível internacional. Pedro Petiz reclama o imperativo de comprar em Portugal e projetar lá fora o que é português, e Cartaxo Alves afirmou que é essencial definir o que queremos fazer futuramente, apontar os setores em que vamos atuar e identificar os projetos.

Painel “A internacionalização no setor da Defesa”: (da esquerda para a direita) Rosas Leitão (AFCEA), José Cordeiro (AED), Pedro Janeiro (Deloitte), Pedro Petiz (TEKEVER) e Cartaxo Alves (DGRDN).

A Defesa Nacional faz hoje parte dos desígnios das empresas portuguesas

A Defesa Nacional faz hoje parte da internacionalização e do desígnio das pequenas e médias empresas, defendeu Ana Santos Pinto, secretária de Estado da Defesa Nacional, nos Open Days PME Connect, que referiu também que a participação da Defesa Nacional neste tipo de iniciativas revela uma mudança de paradigma, em que todos os setores, público e privado, estão envolvidos.

A governante falou sobre um novo contexto político e financeiro em que os investimentos na defesa são vistos como necessários para a economia nacional e internacional, envolvendo todos os players da economia. O investimento em projetos de Defesa pode e deve resultar em clusters competitivos em diferentes áreas – aeronáutico, espacial e até construção naval – que ajudarão Portugal a estar preparado para responder aos desafios internacionais. Por isso, defendeu, o papel do Estado é identificar caminhos e fomentar parcerias para que o país possa beneficiar deste trabalho, na sua afirmação e desenvolvimento ao nível da Defesa, ao nível nacional e internacional.

Os “Open Days PME Connect” são um evento de business networking em que são partilhadas experiências no âmbito do projeto PME Connect e feito um balanço do trabalho realizado até aqui, e decorre até hoje, sexta-feira, 22 de fevereiro, no Auditório da Casa da América Latina e UCCLA, em Lisboa. O evento está aberto à participação de todos os interessados, que poderão inscrever-se através do site https://aippmeconnect.com/.

Autor: Midlandcom, Consultores de Comunicação, Lda.
Fotografias: Joaquim Morgado, Color Shop

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