Administrador Carlos Madeira EDP EDP Internacional Energia Entrevista

Entrevista – Carlos Madeira (Administrador da EDP Internacional)

Entrevistámos Carlos Madeira, atualmente Administrador da EDP Internacional, para conhecermos a estratégia de internacionalização da empresa.

Carlos Madeira é Engenheiro Civil formado pelo IST em 1983. É Mestre em Gestão, tem um MBA pela Universidade Nova de Lisboa (1991) e um SEP, pela Universidade de Stanford (1996). Exerceu funções no Laboratório Nacional de Engenharia Civil e na construtora Teixeira Duarte.

Passou pela empresa de consultoria The Mac Group Consultores e, mais tarde, tornou-se Presidente da ALCO SGPS (Grupo Nutrinveste).

Foi Vice-Presidente da EPAL, Vice-Presidente da ANA – Aeroportos de Portugal e Presidente da Portway – Handling.

Hoje integra os Conselhos de Administração da EDP Internacional, EDP Labelec, CNET R&D (Lisboa) e SCNET R&D (Shanghai).

1) A EDP Internacional (EDP I) atua num âmbito muito específico do mercado e em diversas geografias no fundo. Que pode a EDP Internacional fazer para apoiar uma internacionalização mais eficaz das PME Portuguesas?

No momento presente a EDP Internacional dedica-se exclusivamente à prestação de serviços de consultoria técnica nos mercados internacionais.

Nas propostas de prestação de serviços que apresentamos é comum suceder que a EDP I não tem todas as valências requeridas pelos nossos potenciais clientes, nos termos de referencia que nos enviam.

Para colmatar essas dificuldades a empresa recorre de forma sistemática à celebração de parceiras com outras entidades tanto nacionais como estrangeiras.

A EDP I encoraja/incentiva que PME Portuguesas que acuem no mesmo negócio que a EDP I (e possam agir com entidades complementares) nos procurem para eventuais parcerias em projetos concretos.

2) É certo que muitas PME devem procurar trabalhar com a EDP Internacional. Quais as características que mais valorizam numa PME para poder trabalhar convosco?

Capacidade e qualidade técnica e de mobilização de recursos humanos, agilidade, pragmatismo, atuação empresarial que respeite os códigos de conduta ética e boas práticas empresariais em vigor na PME e na EDP, boa saúde financeira, capacidade de assumir riscos e atitude “can do”.

3) Fruto da vossa experiência, quais as principais lições que a EDP Internacional tem vindo a aprender no seu processo de internacionalização e que possam ser úteis para as PME?

  • Ser paciente. O sucesso leva tempo (e muito esforço).
  • Manter o foco. Não tentar conquistar o mundo porque não terá sucesso.
  • Estar ciente das características do lugar onde se compete.
    • Os países emergentes são lugares extremamente perigosos para fazer negócio;
    • Ficar longe dos países óbvios e (falsamente) confortáveis/amigos;
    • Foco nos países onde os clientes são muito exigentes (mas pagam bem).
  • Maximizar a recolha de informações sobre os mercados alvo.
    • As pessoas tendem a falar muito por isso perguntar, perguntar sempre, muito, mesmo que pareçam ser perguntas estúpidas ou com resposta óbvia.
  • Alavancar o conhecimento local de terceiros.
    • Os locais sabem sobre o seu local…
    • … Isso é diferente de se envolver excessivamente com os locais.
  • Explore o valor total das parcerias como regra geral.
    • Minimiza risco, permite estar em mais mercados com os mesmos recursos disponíveis e permite aprender com os outros.
  • Por último, mas não menos importante, atenção à tesouraria. Um cliente bom é um cliente que paga. A horas.

4) E qual a estratégia de internacionalização que a EDP Internacional tem definido para os próximos 3-5 anos?

A estratégia de internacionalização que a EDP Internacional tem definida para os próximos 3-5 anos é extremadamente monótona. A EDP Internacional vai continuar a fazer o que está a fazer hoje. Manter o foco nos mesmos mercados alvo, com a mesma abordagem comercial, a mesma postura na gestão conservadora de risco, a mesma gestão prudente da tesouraria e os mesmos clientes alvo. A diferença entre os dias, todos diferentes, será que amanhã teremos de fazer o que fizemos hoje, mas um pouquinho melhor e mais depressa.

5) Como pode o nosso país promover e apoiar uma internacionalização mais eficaz das nossas empresas?

Mantendo o foco nos países que sejam considerados prioritários, e só nesses, criar “clusters” com massa critica para competir nos mercados internacionais e promover/forçar parcerias entre empresas nacionais para aumentar a qualidade da resposta, entre outros.

6) Na sua opinião, quais os principais riscos geoeconómicos e políticos que enfrentaremos no curto e médio prazo?

Os principais riscos geoeconómicos e políticos que enfrentaremos no curto e médio prazo estão amplamente documentados e entram-nos todos os dias através das televisões internacionais: a convivência entre as novas potencias e as potencias tradicionais (China, Brasil, Índia vis a vis EUA, Europa e Japão), as alterações demográficas e climáticas e as migrações.

7) Por último, que mensagem e conselhos pode deixar aos empresários e à sociedade portuguesa?

Não me considero suficientemente qualificado para dar conselhos a empresários e menos à Sociedade portuguesa (para além das platitudes de ocasião que um qualquer comentarista tem sempre prontas para dizer).

Em todo o caso, se tiver mesmo de dizer algo para concluir, recomendaria talvez que cada um de nós dirija a sua energia para se manter focado na sua ação diária, não complicar, ser persistente, valorizar a ciência e o conhecimento técnico, procurar melhorar continuamente, ser humilde e, sobretudo, nunca perder o senso comum.

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